MENOPAUSA – UM CAMINHO DE MUITAS ETAPAS
Quando completei 40 anos resolvi
recorrer à medicina ortomolecular e visitar um médico mais holístico para me
preparar para esta nova fase da vida. Sentia que algo estava por acontecer, mas
tinha quase nenhuma informação sobre como seriam os próximos anos que vão
culminar na menopausa. Muito menos qual a idade em que ela poderia ocorrer.
Tirando os sintomas mais comuns, nomeadamente calores e falta de menstruação,
não sabia de mais nada sobre o que ocorreria no meu corpo.
Inexplicável. Uso esta
palavra, pois, além de me considerar bem informada, tenho uma família enorme, formada por muitas mulheres de várias
idades, além de amigas mais velhas, e nunca conversamos sobre isto. Sobre
como elas se sentiram quando a menstruação parou e antes disto, como foi para
elas, para os companheiros e as companheiras, o que afetou nos seus trabalhos e estudos, quais os sintomas físicos e psicológicos que tiveram, o
que fizeram para amenizar, quais as dicas, o que
melhorou e o que foi ou é desafiante. Minha mãe, minhas tias, algumas primas
delas já tinham entre 50 e 70 anos nesta época, mas havia e há um silêncio, um
tabu sobre este assunto, que não é nem levado em conta.
Para mim, foi necessário sair
desta bolha para obter alguma informação. Acredito que foi uma ótima decisão
tentar entender o que ocorreria de forma mais holística, fazer exames,
verificar taxas e conversar sobre o que eu poderia fazer para ajudar meu corpo
e minha cabeça a passarem com qualidade pelos próximos anos. Sem sintoma nenhum
aparente, na época, fiz uma reeducação alimentar com reforço de muitas
verduras, frutas e legumes. Conheci algumas vitaminas, minerais e alimentos especiais que
poderiam ajudar no metabolismo, no humor e com o equilíbrio hormonal. Voltei a
me exercitar com frequência e fiz testes para saber quais os pontos fracos do
meu organismo naquele momento que seriam importante regular, como várias taxas
que ficaram ok somente com o início de uma dieta mais equilibrada e a perda de peso como consequência.
Só que o médico não era
ginecologista, e, como não havia sintomas aparentes, cuidou do meu organismo no geral,
explicou o que ocorreria por alto e segui mais saudável, mas sem saber ainda de
mais detalhes sobre a menopausa. Pensei: tudo bem, ainda faltavam
aproximadamente 10 anos, teria tempo para saber. O fato é que o meu corpo
naquela época já estava na perimenopausa, que ainda é muito menos falada do que
a menopausa, possivelmente desde os 35 anos. Sintomas físicos e psicológicos
mais sutis já estavam se instalando.
Esta é uma fase que muito
do que sentimos pode ser confundido ou misturado com outras fases da vida da
mulher, como a maternidade, mudanças ou ruptura na vida profissional, uma
separação, o estresse que tudo isto causa. Desde então, em todas as consultas
ginecológicas que vou sempre pergunto o que posso fazer, comer, tomar para
viver melhor, evitar ou amenizar sintomas. Todos, sem exceção, olham meus
exames, dizem que as taxas hormonais estão dentro do normal e que eu só devo me
preocupar e agir quando os sintomas fortes aparecerem, como afrontamentos,
secura vaginal, perda de líbido. Neste momento, terei que decidir se farei
tratamentos hormonais com medicamentos alopáticos ou mais naturais. Sempre vi
isto como um ok, ok, ninguém fala sobre isto, não precisamos falar destas
chatices agora. Nunca me conformei com a falta de informações e de cuidados
preventivos, principalmente sabendo o quanto cuidar da saúde e não de sintomas
pode fazer diferença mais na frente.
Incluindo a perimenopausa
(que começa entre 35 e 40 anos), a menopausa propriamente dita, que ocorre somente
quando a mulher fica 12 meses sem menstruar (geralmente pelos 51 anos, sendo precoce
antes dos 44 e tardia depois dos 55), e todo tempo de vida depois disto, a
mulher passa em média dois terços da vida adulta neste caminho de muitas
etapas. Uma longa fase de nossas vidas que, em geral, não é considerada,
estudada, falada e acolhida nem nos círculos mais íntimos, muito por conta dos
processos femininos terem um lugar de menos destaque e importância ao longo da
história patriarcal, mas também pela pressão social, pela venda de ideias como
funcionalidade da mulher e culto à juventude eterna, principalmente, feminina.
Imagine se soubéssemos, nós e quem está
a nossa volta, aceitássemos e acolhêssemos o que ocorre no corpo e na cabeça da
mulher a partir dos 40 anos? Assim com fazemos quando chegamos à adolescência
ou quando engravidamos? Nestas duas fases, sabemos bem mais sobre as mudanças,
temos grupos de estudo e de apoio, trabalhos terapêuticos e científicos para
recorrermos, e uma aceitação bem maior dos nossos pares, da sociedade. Imagine
se fosse assim também já a partir da perimenopausa?
Não há
fórmula mágica para resolver isto. É fato que precisamos desbravar estes caminhos, ganhar espaço e quebrar tabus. A observação e a busca por conhecer e entender os sinais do
nosso corpo de mulher, em todas as fases da vida, e a procura por informação
para além do que é pregado pela medicina tradicional é o caminho mais seguro a
longo prazo. É preciso questionar os tratamentos sugeridos que prometem
“resolver o problema” de forma rápida, anular sintomas, que invisibilizam e
silenciam ainda mais as mulheres nesta fase.
Para começar esta longa jornada, vamos saber um pouco mais sobre o que pode acontecer com nosso corpo dos 40 anos em diante. Dos sintomas físicos, os mais comuns difundidos pela medicina tradicional sobre a menopausa (e aí não se fala quase nada sobre o que vem antes, na perimenopausa) são os afrontamentos (fogachos ou calores), secura vaginal e baixa libido. Se fizermos uma pesquisa um pouco mais aprofundada, fala-se de mudança fisiológica na vagina, aumento de infecções urinárias, prurido e dor nas relações sexuais.
Mas há ainda os sintomas na perimenopausa e menopausa
menos conhecidos pelas mulheres que também não são levados em conta pela grande
maioria dos médicos, como falta de concentração, esquecimentos, irritabilidade,
insônia e depressão. A SPM
(síndrome pré-menstrual) torna-se mais acentuada, o que também traz informações
sobre a tônica desta fase: dá-se um desligar do “cérebro maternal”. Chegou a
nossa hora! Momento de focarmos mais em nós e menos nos outros.
Na perimenopausa, há alterações nos ciclos menstruais, encurtando-os ou tornando-os mais longos. O encurtamento dos ciclos representa um defeito na fase lútea ou ovulações mais frequentes, ou seja, o corpo sente a aproximação do fim da fertilidade e tenta tudo para que ainda aconteça uma gravidez. Os ciclos mais longos dão sinal da dificuldade em ovular ou mesmo da anovulação.
O fluxo menstrual também sofre
alterações, tornando-se mais escasso ou mais abundante. No primeiro caso, o
fluxo abranda porque o endométrio torna-se mais fino, revelando uma baixa nos
estrogênios. No caso de fluxo mais abundante, este fala-nos
de uma dominância de estrogênios.
O silenciamento de mulheres desta idade,
de sintomas e sentires, principalmente pela pressão social, faz com que
percamos informações essenciais e importantíssimas para passarmos por mais esta
fase de uma forma tranquila e saudável em todos os níveis. Tudo o que sentimos
e que incomode pode ser amenizado, integrado, trabalhados de forma natural,
como veremos aqui no blog. Quanto mais conhecimento temos sobre eles, mais
entendemos o sentido, a lógica do nosso corpo que é sábio e usa de tudo isto
para nos preparar para uma fase que fala muito mais sobre nós, nossos quereres,
nossa essência, o que precisamos realizar neste mundo de acordo com a nossa
alma.
Por Neusa Rodrigues
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